Foto: Kyle Bryant manifesta sua satisfação ao contribuir com o hub de mídia social do simpósio, juntamente com outros representantes da FARA.

A Ataxia de Friedreich, marcada pela perda progressiva do equilíbrio, da coordenação e da força muscular, também pode prejudicar a fala, a visão e a audição, além de causar diabetes e a doenças cardíacas potencialmente fatais. A enfermidade ainda não tem uma cura. A Dra. Theresa Zesiewicz, professora de neurologia e diretora do ARC da USF será a principal pesquisadora envolvida no recém-anunciado estudo multicêntrico do EPI-743. Ela trabalhará junto a co-pesquisadores em dois outros locais pertencentes à Rede de Pesquisa Clínica Coloborativa da FARA — com o Dr. David Lynch, no Hospital Infantil da Filadélfia, Universidade da Pensilvânia e com a Dra. Susan Perlman, na UCLA, em Los Angeles, Califórnia.  “O EPI-743 representa uma grande promessa no tratamento da AF, o que provavelmente é uma excelente notícia para os pacientes e seus familiares", afirmou a Dra. Zesiewicz.“Sentimo-nos honrados em ser a principal sede do estudo e estamos muito animados com a oportunidade de ajudar no progresso dessa droga candidata na linha de tratamento.” “Muitos centros possuem nichos de excelência em ciência básica, pesquisa clínica ou pesquisa translacional, mas na USF temos excelência nas três, o que é fundamental para a realização de um ensaio clínico 2B bem executado", disse o Dr. Guy Miller, presidente e CEO da Edison Pharmaceuticals, que falou no simpósio. “Ali também encontramos uma conjunção fantástica de médicos de ponta inovadores e profundamente preocupados com os pacientes". 

Foto: Dentre os palestrantes, estavam líderes na pesquisa da Ataxia de Friedreich. Da esquerda para a direita: Dr. R. Mark Payne, da Universidade de Indiana, Helene Puccio, do Instituto de Genética e Biologia Molecular da França e Dr. Guy Miller, da Edison Phaumaceuticals.

A Edison se concentra no desenvolvimento de fármacos para tratamento de doenças mitocondriais hereditárias que compartilham uma característica — defeitos na produção de energia e na regulação do metabolismo energético no organismo. A perda da função da proteína frataxina em pacientes com AF foi associada à incapacidade de produção de energia pelas mitocôndrias das células nervosas. O Dr. Miller apresentou ensaios pré-clínicos e ensaios clínicos preliminares animadores envolvendo o EPI-743, um composto desenvolvido para melhorar a função mitocondrial, que representa a droga candidata mais avançada do portfólio da Edison. Em laboratório, o EPI-743 – um derivado mais abrangente e potente do antioxidante CoQ10 — mostrou sucesso na recuperação de células musculares sob estresse oxidativo, restituindo-lhes seu estado normal. Em um ensaio clínico recente, o EPI-743 reverteu a progressão da doença mitocondrial em crianças com Síndrome de Leigh, melhorando a função motora grossa e a qualidade de vida, entre outros parâmetros. “Todos os pacientes tratados com o EPI-743 apresentaram melhora", disse o Dr. Miller. Ele disse ainda que "precisamos ver se conseguimos melhoras terapêuticas significativas no próximo ensaio em pacientes com AF ”.

Outros pesquisadores líderes que se destacaram no simpósio foram a Dra. Helene Puccio, diretora de pesquisa do INSERM, Departamento de Medicina Translacional e Neurogenética, Instituto de Genética e Biologia Molecular, e Mark Payne, um cardiopediatra que dirige o setor de genética médica e molecular no Wells Center for Pediatric Research da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana.  O laboratório da Dra. Puccio é renomado pelo desenvolvimento de modelos animais baseados em camundongos para estudo da patofisiologia da AF e teste de novos tratamentos potenciais, incluindo abordagens terapêuticas empregando genes.  Ao longo dos últimos dois anos, sua equipe desenvolveu um método de inserção do DNA da frataxina humana em células de camundongos usando um vírus adeno-associado como veículo. As células "infectadas" passam então a expressar o gene da frataxina e a produzir a proteína altamente deficiente em pacientes com AF. Usando camundongos geneticamente modificados para exibir os sintomas de deterioração do músculo cardíaco (cardiomiopatia) associada à AF, a Dra. Puccio mostrou que a substituição do gene foi capaz de reverter a lesão cardíaca em camundongos que teriam morrido sem tratamento. Na verdade, examinando a função cardíaca e mitocondrial, os pesquisadores não observaram diferenças entre os camundongos com AF tratados com o gene da frataxina carreado por vírus e os camundongos normais, não tratados. “Isto é muito animador", afirmou a Dra. Puccio. “Conseguimos salvar camundongos pré e pós-sintomáticos...Parece que temos uma ampla janela terapêutica em camundongos e esperamos que os mesmos resultados possam ser obtidos em seres humanos”.
Foto: Ron Bartek e Jennifer Farmer, da FARA, forneceram uma visão geral do rápido avanço da pesquisa relacionada à Ataxia de Friedreich.

O Dr. Payne compartilhou seu conhecimento sobre doenças cardíacas causadas por defeitos mitocondriais, observando que a insuficiência cardíaca é uma importante causa de óbito em pacientes com Ataxia de Friedreich. Seu laboratório comprovou que a substituição da proteína frataxina deficiente em camundongos com AF ajudou a evitar a morte das células do músculo cardíaco e aumentou a sobrevida em 50%.  Todos os pacientes com Ataxia de Friedreich devem passar por avaliações cardíacas anuais, recomendou o Dr. Payne.  O ARC da USF também será a sede de um futuro estudo piloto para verificar se o aminoácido L-carnitina é capaz de melhorar as respostas cardiovasculares em pacientes com AF.  Ron Bartek e Jennifer Farmer, respectivamente presidente e diretora executiva da FARA, forneceram uma visão geral do avanço da pesquisa da AF no início do programa.  Segundo o seu membro-fundador Ron Bartek, desde a fundação da FARA em 1998, os auxílios financeiros recebidos pela associação passaram de 100.000 (1999) para um valor estimado em 3 milhões de dólares este ano, as publicações científicas dobraram e o número de fármacos de ensaios clínicos passou de zero para 10.  "Em termos científicos, a pesquisa desta doença está avançando na velocidade da luz", disse Bartek. "Juntos, derrotaremos e curaremos a Ataxia de Friedreich".
Foto: Durante o painel de discussões, os pacientes puderam compartilhar suas realizações mais valiosas e os desafios de viver com a ataxia de Friedreich. Após as apresentações científicas, um painel de discussões com os pacientes, moderado pela Dra. Zesiewicz, destacou a importância da pesquisa. Kyle Bryant, Jack DeWitt, Natchez Hanson, Laura Beth Jacquin e Stephanie Magness responderam às perguntas sobre os desafios de conviver com a ataxia de Friedreich, suas realizações e esperanças em relação ao futuro. Hanson, diagnosticada com AF em 2006, formou-se recentemente pela University of Central Florida e trabalha como professora de matemática para o ensino médio. “Na minha colação de grau, caminhei usando o andador e com as mãos abaixadas; foi o momento de maior orgulho de minha vida", disse ela.  Em um dado momento, DeWitt, o participante mais novo, de 12 anos de idade, desafiou os cientistas presentes ao perguntar "Qual o significado da cura para vocês?"  Alguns pesquisadores frisaram a importância da melhora da qualidade de vida dos pacientes através do alívio dos sintomas enquanto se buscam tratamentos e se trabalha no sentido de uma cura capaz de reverter a AF.  “A verdadeira cura será quando eu, na condição de reitor de uma faculdade de medicina, puder finalmente falar da ataxia de Friedreich como uma doença do passado", disse o Dr. Stephen Klasko, CEO da USF Health e reitor da Morsani College of Medicine.

Foto: Da esquerda para a direita: Dr. Miller fala com Laura Beth Jacquin, uma paciente de AF que veio de Atlanta para participar do simpósio e com seu pai, John Jacquin.Nas considerações finais, o Dr. Clifton Gooch, diretor de neurologia na USF, reconheceu a paixão e a determinação dos pacientes e seus familiares, que trabalham incansavelmente com a FARA e com os parceiros acadêmicos e da indústria para o avanço da pesquisa que levará à cura. “Vocês trouxeram suas mãos, seus corações, suas mentes e os frutos do seu trabalho, colocaram tudo sobre a mesa e disseram "daremos o máximo para mudar nossos destinos", disse o Dr. Gooch. "Um progresso tremendo foi realizado... Estou muito animado com o que ouvi esta noite. Sem perder a cautela, estou confiante de que estamos prestes a testemunhar grandes acontecimentos na AF em diversas frentes”.


- Texto por Anne DeLotto Baier e fotos por Eric Younghans, USF Health Communications

Fonte:  USF Health


 

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