Três livros em três anos. Isso representa muito esforço, mas também uma grande satisfação.

Bom, muito trabalho sim mas, como foi algo voluntário, o esforço torna-se mais tolerável e ao ver o grande dia da apresentação tão próximo, não consigo evitar essa ansiedade interior, deixando um rastro de nervosismo, desejos e ilusão que fazem com que me sinta uma menina em noite de Natal. É uma sensação muito bonita, na qual os maus momentos ou o cansaço pelo esforço feito desaparecem e apenas tenho presente o que está por vir.

Os três livros são diferentes: um romance, um livro de poesias e, agora, um drama infantil. Você tem necessidade de abordar novos gêneros, novos desafios?

El Castillo de Albanza não é tanto uma obra dramática, senão que um breve relato de ficção que, mesmo que em princípio se dirija a crianças de 10 ou 11 anos, também é uma leitura leve e divertida para adultos. Diria que El Castillo de Albanza segue a mesma linha de Bosquejando Recuerdos (Desenhando Lembranças), onde a infância têm muita importância. Não é que sinta necessidade de novos desafios, senão que os desafios vêm até mim e eu os enfrento sem medo algum.  Um exemplo é meu novo plano. Anteriormente, havia pensado em traduzir a obra para o inglês e para o Basco, mesmo que, obviamente, não dispusesse dos recursos necessários para a impressão em papel. Desse modo, optei por doar as versões digitais para a BabelFAmily, uma associação em prol da Ataxia de Friedreich. Como resultado disso, propuseram-se promover o conto pelo mundo anglo-saxão e traduzi-lo para diferentes idiomas.

Como surgiu a ideia do “El Castillo de Albanza” e de que se trata essa história?

Tinha em mente produzir uma obra infantil, na qual pudesse brincar com os tempos medievais e históricos de nossa terra e, ao mesmo tempo, não queria situá-la em um ponto geográfico real. Comecei a escrever e a me instruir sobre os temas históricos e o conto foi uma consequência.

Como foi o processo de criação?

Por sorte, escrevi este conto há dois anos e, antes de publicá-lo isoladamente, tive que revisá-lo, corrigi-lo e tornar a corrigi-lo diversas vezes. Além disso, o conto é curto e lembro-me que não levei mais que três meses para escrevê-lo. Por isso disse “por sorte”, porque agora não teria sido capaz de escrevê-lo sem ajuda. Nesses últimos anos já não consigo usar os programas de reconhecimento de voz porque eles não reconhecem as palavras que verbalizo. Minha dificuldade para falar aumentou devido à Ataxia de Friedreich, da qual padeço.

Sei que preparou uma apresentação muito especial para a segunda-feira.

A verdade é que venho organizando a apresentação desde janeiro, porque minhas apresentações são uma grande festa para mim, na qual tento reunir meus amigos e leitores. Marta Juániz já havia colaborado comigo anteriormente, recitando um poema de Canciones del Alma, meu livro de poesias e, como consequência, comecei a alimentar em a ideia de uma representação dramática. Sugeri a ela e ela concordou. Dessa forma, comecei a escrever um monólogo baseado nos sentimentos de Berenguela, princesa Navarra do século XI, uma protagonista da lenda medieval (de minha criação) que serve como pano de fundo da narração. Na apresentação há mais surpresas, como a intervenção de Leyre Arraiza como apresentadora, Javier Erro e Saioa Paternain como os meninos cantores, o grupo Armonía - com Rafael González, uma das melhores vozes navarras em relação à música e dança Jota, e outros convidados como Patxi Zabaleta para o prólogo, Elionel Barkos, como tradutor do idioma basco e Txema Maraví, como ilustrador.

Quais são suas expectativas com relação a esta obra?

Honestamente, não tenho nenhuma expectativa. Quando comecei a escrever, estipulei para mim o desafio dos três livros, um por ano. Era um dever que me autoimpus, era meu objetivo. Minha situação agora é outra e, certamente, continuo estabelecendo meus objetivos, mas num ritmo mais lento porque sei que já não dependo apenas de mim mesma e que preciso da ajuda de outras pessoas para digitarem por mim.

De fato, um de seus próximos projetos, no que já está trabalhando, é El Legado (A herança), romance coletivo, elaborado através da internet e que acredito ser iniciativa sua. De que consiste este projeto? Como é o processo de criação e quantas pessoas participam?

Estou muito emocionada com o novo projeto pois, além de sua dimensão, permitiu-me fazer novas amizades em diferentes países. Meu objetivo principal era escrever um romance entre diversos autores do mundo todo que padecem com a Ataxia de Friedreich. Cada autor escreve um ou dois capítulos em sua língua materna, de acordo com orientações básicas por mim estabelecidas, ainda que tenham total liberdade para dar novas ideias que enriqueçam o romance. Para tanto, entrei em contato com a BabelFAmily, uma associação em prol da Ataxia de Friedreich, que se encarrega de traduzir a informação de estudos e ensaios sobre a doença, além de também endossar diferentes projetos de investigação biomédica. Também sugeri a eles que o dinheiro apurado com a venda do romance poderia ser destinado ao financiamento de pesquisas e projetos sobre a enfermidade. Aos poucos, colocamos o projeto em funcionamento e então surgiram diferentes autores (casualmente, somos todas mulheres) da Austrália, África do Sul, Inglaterra, Estados unidos, México, Portugal, Itália e Espanha.

Qual será o futuro do livro? Vocês pretendem publicá-lo?

A publicação será decidida pela equipe, embora pensamos que uma grande editora se encarregará de distribuir e promover o romance. Temos um grupo fechado de escritores e tradutores na rede. Através dele podemos entrar em contato uns com os outros: fazemos sugestões, temos discussões...Quanto à previsão para sua apresentação, se tudo correr como até o momento, talvez fique pronto no final de 2012. Entretanto, não serei a responsável pela apresentação desse livro. Imagino que será realizada em Madrid.

Para terminarmos, Maria, você acredita que estes trabalhos que você vem apresentando também podem servir para que todos reflitamos sobre o fato de que quando nos esforçamos podemos alcançar aquilo a que nos propomos? Você conseguiu alcançar aquilo a que se propôs?

Claro que serve para muitas reflexões. Não apenas essa que, claro, é importante, senão que também serve como exemplo para outras pessoas com deficiência física, porque leva a pensar que, por maiores que sejam as dificuldades que se enfrentam, há sempre uma outra saída... Quanto a mim, não posso afirmar que alcancei aquilo a que me propus, senão que assim me encontro: desfrutando o momento presente. Não penso no passado, nem no futuro: o que tiver que vir virá e ali estarei para procurar pelo aspecto positivo ou vantajoso, para aproveitar esse momento de felicidade.


Fonte: Noticiasdenavarra.com

O legado de Marie Schlau: literatura e solidaridade

Uma história cheia de intriga, emoções e reviravoltas inesperadas, com a ataxia de Friedreich como pano de fundo. Com todos os ingredientes para o sucesso, agora você só tem que lê-lo!
Todos os fundos obtidos com a venda do livro serão utilizados para a investigação médica para encontrar uma cura para a ataxia de Friedreich, uma doença neurodegenerativa grave e debilitante que afeta principalmente crianças e jovens, que ficam confinados a uma cadeira de rodas. Esta doença reduz a expectativa de vida até perto de 40 anos.

Por esta razão e porque atualmente não há cura, por favor nos ajude derrotar a ataxia de Friedreich, lendo uma história que não o deixará indiferente.
Você pode comprar o livro na Amazon, em Inglês ou Espanhol:
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