— As expectativas criadas com o tratamento de células tronco correspondem à realidade?
—Em termos gerais, não. Sem dúvida, o sucesso obtido no tratamento de doenças sanguíneas e a existência de células que mostram a capacidade regenerativa de alguns tecidos sólidos combinados com os resultados parcialmente positivos em experimentos in vitro (cultivo celular) e animais, contribuíram para aumentar a expectativa ilusória de que tudo pode se regenerado.

—Em que estágio se encontra a pesquisa?
—Nos últimos anos, a pesquisa tem se concentrado no conhecimento da biologia das células tronco e no uso adequado dos modelos animais. Após o período inicial confuso e pouco específico, agora temos uma compreensão mais clara das limitações e as possibilidades racionais do emprego das células como tratamento de doenças. A pesquisa clínica com células está bem controlada e conduzida de acordo com os parâmetros científicos estabelecidos pelos protocolos dos ensaios clínicos, regulamentados pelas agências governamentais..

— Por que alguns países restringem ou proíbem a pesquisa com células tronco?
— Creio que por razões históricas, sociais e religiosas. Não há motivos científicos que se contrapõem às pesquisas normalmente baseadas em células. Se as pesquisas são realizadas de forma regulamentada e controlada pelos parâmetros éticos estabelecidos pelos comitês de ética em pesquisas experimentais e clínicas, os valores sociais estão garantidos.

— Os experimentos já estão sendo feitos com seres humanos?
— Há ensaios clínicos regulamentados em execução e que cumprem com todos os requisitos científicos. Este é o caminho para determinar com segurança se uma técnica pode se transformar em medicamento. Estes experimentos são necessários. 

— Quanto tempo é necessário para conhecer os efeitos colaterais dos tratamentos (não necessariamente em humanos)?
— Embora em biologia não se tenha a certeza de praticamente nada, hoje em dia existem técnicas analíticas muito sensíveis que são capazes de explorar muitos processos e órgãos e, portanto, podemos avaliar em pouco tempo os efeitos benéficos e prejudiciais dos experimentos. Os primeiros efeitos podem ser avaliados entre 2 e 4 semanas, os mais tardios podem levar anos.

— Existem clínicas estabelecidas em países onde a legislação permite tratamentos com células tronco? Elas atendem os padrões mínimos para a execução dos procedimentos de acordo com o que se conhece sobre sua aplicação até o presente momento?
— Geralmente, não. Esses tratamentos raramente têm o suporte de dados experimentais e os ensaios clínicos, portanto, elas não cumprem os princípios científicos e éticos. Em medicina, isso é charlatanismo e tem o apoio de um pensamento mágico resultante da mescla de dados parcialmente científicos e jogam com a dignidade e o desespero das pessoas.

— Até que ponto o aparecimento de casos fraudulentos podem influenciar os governos que permitem pesquisas para que mudem de opinião, o que é pior, as proíbam?
— Não sei se isso ocorrerá, mas é necessário que essas clínicas fraudulentas desapareçam porque o doente, desesperado e sem a orientação adequada, está sempre predisposto a aceitar o que esses indivíduos inescrupulosos lhes oferecem.

— Há famílias que se arriscam com tratamentos de células tronco porque é a única alternativa que encontram diante da falta de resposta dos serviços de saúde pública. Quais são os perigos que esta prática acarreta?
—Isso não é totalmente verdadeiro. Há sempre meios racionais para combater doenças e ajudar os enfermos. Sempre há possibilidade de se criar fundações ou estruturas que promovam pesquisa básica e clínica para uma doença. A ciência está em busca de respostas para quase todas as doenças; um meio lógico que apoie essas iniciativas.

— Existe alguém que se arriscaria a pedir a eles que confiem na Saúde Pública quando esta não lhes dá uma resposta?
—Sempre existe uma possibilidade de resposta e ela se encontra no estímulo à pesquisa e no desenvolvimento de ensaios clínicos. Os pacientes têm direito a uma resposta científica e racional dos governos que se mantém com os impostos pagos por eles.

— O governo espanhol facilita a pesquisa com as células tronco ou os pesquisadores se deparam com uma legislação aprovada, contudo sem os meios de efetuar a pesquisa?
— Felizmente o governo espanhol fomenta a pesquisa de células tronco. Por essa razão não há sentido em ter clínicas eticamente questionáveis  em nosso país. Seguindo o procedimento correto, o sistema de saúde e, até mesmo a iniciativa privada, pode conseguir muitas coisas interessantes para os pacientes.

Os estudos somente chegam a reconhecer os “efeitos benéficos localizados”
A medula óssea e o tecido adiposo são fontes acessíveis das células tronco e que podem ser obtidas através de um procedimento minimamente invasivo e que já demonstrou aliviar e prevenir a morte da célula em muitas doenças, inclusive as neurodegenerativas.

Há muitos métodos, através dos quais as células tronco melhoram o desenvolvimento das doenças, como o processo da fusão de células, a transdiferenciação e a liberação do fator trófico.  Portanto, estas células foram usadas nos modelos de ataxia de Friedreich para confirmar se elas possuem efeito potencial benéfico e assim, no futuro, se converterem em uma ferramenta terapêutica, de acordo com o estudo realizado no Instituto de Neurociências, da qual Salvador Martínez faz parte.

As conclusões deste estudo revelam que as células tronco exercem efeitos benéficos localizados (neurotróficos) sobre as células de ataxia de Friedreich, sendo um "possível enfoque terapêutico" para essa doença. Uma conclusão que ainda está muito longe das mensagens dos "charlatães" e que mostra o longo caminho a ser percorrido para que determinadas doenças, consideradas incuráveis até agora, possam contar com remédios eficazes e seguros para a sua cura.

O perfil de um pesquisador que trabalha em um centro que oferece a segurança da cautela
Salvador Martínez Pérez formou-se em medicina pela Universidade de Múrcia em  junho de 1985. Ele recebeu o Prêmio Especial na graduação do curso em 1984-1985. Sua tese de doutorado, que contou com a orientação do Professor Luis Puelles López da Escola de Medicina de Múrcia do Departamento de Ciências Morfológicas, ocorreu entre dezembro de 1985 e novembro de 1987. É PhD em medicina pela Universidade de Múrcia e defendeu sua tese em 30 de novembro de 1987. PhD com distinção em 1986-87.

É catedrático da universidade desde abril de 2004. Vice-reitor e pesquisador do Instituto de Neurociências, UMH-CSIC. Diretor do laboratório de Embriologia Experimental do Instituto de Neurociências, UMH-CSIC.

As linhas de pesquisa se concentraram no desenvolvimento e morfogênese do sistema nervoso de vertebrados, um estudo focado especificamente no controle molecular do desenvolvimento e suas implicações celulares na formação patológica e normal do cérebro. Também é coautor de uma pesquisa sobre a aplicação das células tronco na ataxia de Friedreich.

Fonte

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