Da esquerda para a direita: Holly LeBlanc, Mary Vida, Nygel Lenz e Kyle Bryant participaram no painel de discussão no simpósio, sobre viver com ataxia de Friedreich.

“Eu considero a USF a minha casa longe de casa. O entusiasmo da Dra. Zesiewicz e da sua equipa em procurar um cura e tratar-me como uma pessoa inteira, tem sido espantoso.” disse LeBlanc, 37, que foi diagnosticada com ataxia de Friedreich aos 24, depois de ter sido mal diagnosticada com outro tipo de ataxia.
LeBlanc, que possui um mestrado em direito, juntou três outros pacientes – Kyle Bryant, Nygel Lenz e Mary Vida – para um painel de discussão, moderado pelo Dr. Sephen K. Klasko, MBA e presidente do conselho de administração da USF Health, assim como decano do Colégio de Medicina.

Os pacientes falaram acerca dos seus desafios, determinação e optimismo em como a corrida seria ganha – a corrida para descobrir um primeiro tratamento para a ataxia de Friedreich, uma doença neuromuscular degenerativa rara, caracterizada pela lenta e progressiva perda de equilíbrio, coordenação e força muscular. A AF também pode afectar a fala, visão, audição e conduzir a diabetes e a doenças cardíacas potencialmente ameaçadoras para a própria vida. Não há cura.
Na última década, os investigadores fizeram avanços significativos na percepção do mecanismo molecular da AF e desenvolveram modelos celulares e animais para melhorar os testes aos candidatos para os medicamentos. Actualmente, mais de uma dúzia de investigações promissoras de medicamentos, com variadas abordagens ao tratamento, estão na linha de produção dos ensaios clínicos.

O Dr. Stephen Klasko, da USF Health, disse que se registaram avanços significativos na pesquisa de tratamentos para a AF, desde o simpósio científico do último ano.

“A pressão está instalada, mas a vossa coragem e optimismo fazem-nos querer redobrar os nossos esforços.” O Dr. Sephen K. Klasko, MBA e Presidente do Conselho de Administração da USF Health, e decano do Colégio de Medicina, disse aos pacientes. “Sentimo-nos com energia, mas não satisfeitos, com o progresso que tem sido feito, para descobrir um tratamento e uma cura.”
Jennifer Farmer, directora executiva da FARA, e Ron Bartek, presidente e co-fundador da mesma organização, falaram dos progressos, a nível nacional, na investigação e gestão da AF. A FARA tem apadrinhado poderosas parcerias público-privadas – com agências governamentais, centros médicos académicos como a USF Health, a indústria farmacêutica e outras associações não-lucrativas de doentes – para apoiar a sua busca por uma investigação translacional.
“A construção de uma extensa rede de suporte é absolutamente essencial para fazermos avançar a investigação que vai descobrir os primeiros tratamentos para a AF.”, disse Farmer.

Jennifer Farmer, directora-executiva da FARA, apresentou um olhar, a nível nacional, das abordagens de tratamento nas linhas de produção dos ensaios clínicos. Entre os oradores encontrava-se o Dr. Joel Gottesfeld, professor Departamento de Biologia Molecular do Instituto de Investigação The Scripps. Compostos desenvolvidos pela equipa de Gottesfeld – inibidores histónicos decetilásicos (HDAC) – reverteram, em culturas celulares, o defeito genético que afecta a produção da proteína frataxina nas pessoas com AF. Níveis inadequados de frataxina origina a degeneração dos nervos que controlam os movimentos musculares nos braços e nas pernas, e do tecido nervoso na medula espinal.
Em parceria com a FARA e empresas farmacêuticas e biotecnológicas, os investigadores do Scripps têm “trabalhado para criar moléculas que sejam inibidores histónicos decetilásicos mais activos.”, disse o Dr. Gottesfeld. “Acreditamos que estamos no caminho certo.”
Recentemente a Repligen Corp. licenciou uma das moléculas, RG2833, um inibidor histónico decetilásico 3 (HDAC-3), para o desenvolvimento de tratamentos de doenças neurodegenerativas hereditárias, incluindo a AF. Em células estaminais neurológicas cultivadas a partir de células da pele de pacientes com AF, essa molécula restaurou a frataxina a níveis próximos do normal – 90% disso em células estaminais neurológicas não afectadas, disse o Dr. Gottesfeld.

Uma das moléculas inibidoras HDAC descobertas pela equipa do Dr. Joel Gottesfeld Instituto The Scripps, está a ser desenvolvida como um tratamento para doenças neurodegenerativas hereditárias, incluindo a AF.A Dra. Theresa Zesiewicz, professora de neurologia e directora do Centro de Investigação da Ataxia USF, proporcionou uma actualização dos seus estudos testando a vareniclina, que faz parar de fumar, como um tratamento potencial para os sintomas que levam às frequentes quedas dos pacientes com AF.
Num estudo retrospectivo de 21 pacientes com todo o tipo de ataxias, 25% de todos os pacientes e 38% dos que padeciam de ataxia espinho-cerebelosa, demonstraram melhoras com a vareniclina, disse a Dra. Zesiewicz. Num ensaio clínico piloto, dois em cada três pacientes com AF, melhoraram. Um factor complicativo foi que os efeitos secundários da vareniclina, que inclui tremor e náusea, foram intoleráveis para alguns participantes, ela acrescentou.
Os resultados clínicos – demonstrando que pacientes com AF claramente respondiam à vareniclina e uma percentagem que foi afectada pelos efeitos secundários – levaram a que a Dra. Zesiewicz e os seus co-investigadores voltassem ao laboratório. Eles queriam perceber os efeitos dos agonistas acetilcoólinos parciais da nicotina na AF.
A vareniclina actua em receptores variados afectados pela nicotina, mas é incerto quais são, exactamente, os receptores visados. “Provavelmente a capacidade da vareniclina em melhorar a ataxia deve-se a uma combinação de mecanismos.”, disse a Dra. Zesiewicz. “Temos de descobrir onde e como a vareniclina actua no cérebro ou noutras partes do sistema nervoso.”

Ron Bartek, presidente e co-fundador da FARA, disse que a indústria farmacêutica tem vindo a demonstrar um interesse maior no desenvolvimento de medicamentos para doenças raras.Para responder a estas questões, a Dra. Zesiewicz voltou-se para a colega Dra. Lynn Wecker, distinguida professora de investigação de farmacologia molecular, fisiologia, psiquiatria e neurociências, na USF.  A Dra. Wecker tem vindo a estudar os receptores de nicotina no cérebro há já perto de 30 anos, com ênfase na investigação da química cerebral de doenças do foro neuropsiquiátrico, tais como a esquizofrenia, depressão e comportamentos de vício. Agora, apoiada pelo financiamento do Centro de Excelência para a Identificação Biomolecular e Terapias Dirigidas da Florida, na USF, ela está a usar um rato modelo para a ataxia espinho-cerebelosa do tipo 3, a fim de testar o efeito da vareniclina na ataxia.
O modelo animal pode ajudar os investigadores a definirem melhor quais os receptores envolvidos nas ataxias, incluindo a AF. “Se podermos identificar esses alvos, podemos sintetizar outros medicamentos, com menos efeitos secundários (que a vareniclina) para os afectar.”, disse a Dra. Wecker.

Da esquerda para a direita: entre os oradores do Simpósio, encontravam-se o Dr. Joel Gottesfeld, a Dra. Theresa Zesiewicz, a Dra. Lynn Wecker, o Dr. Clifton Gooch e o Dr. Guy Miller.Também presente no simpósio estava o Dr. Guy Miller, presidente e membro do conselho de administração da Edison Pharmaceuticals. A Edison foca-se em desenvolver medicamentos para tratar as doenças mitocôndriais que partilhem um elo comum – afecta o metabolismo em como o corpo produz e regula energia. A perda de função da proteína frataxina em pacientes com AF tem sido associada à débil capacidade da mitocôndria em produzir energia nas células nervosas.
Os investigadores da Edison têm estudado duas doenças mitocôndriais raras – a doença de Leigh e a neuropatia óptica hereditária de Leber (uma forma hereditária agressiva de perda de visão) – como uma ponte para perceber melhor a AF, disse o Dr. Miller. O Dr. Miller descreveu como um candidato a medicamento – um derivado do anti-oxidante CoQ10 mais amplo e mais potente – foi benéfico, sem efeitos adversos, em crianças pequenas com doenças genéticas mitocôndriais. No próximo ano, a Edison planeia em recolher informação sobre os potenciais benefícios do medicamento em pacientes com AF, outra doença causada pela debilidade energética.
Nenhum único medicamento vai ser a resposta para AF: provavelmente vai requerer uma abordagem combinada, disse o Dr. Miller. “Pode ser necessário um cocktail, como um inibidor HDAC combinado com um medicamento que tenha a capacidade de mitigar o stress oxidativo… isto vai travar a doença.”
Há razão para um optimismo cauteloso, ele acrescentou. “Estamos a aproximar-nos muito desta doença… Perceber os mecanismos específicos de acção e desenvolver medicamentos para os mesmos vai proporcionar-nos novas pistas (para tratamentos), estendendo-se para além da AF a doenças do foro neuropsiquiátrico, epilepsia e todo um conjunto de outras doenças que envolvem interrupções do metabolismo energético.”

Holly LeBlanc e Kyle BryantO painel de pacientes, no fecho do simpósio, frisou a urgência em descobrir um primeiro tratamento para a AF.
Um dos membros desse painel de pacientes, Kyle Bryant, diagnosticado com AF aos 17, recentemente competiu como membro da Equipa FARA na Race Across America (Corrida Através da América), uma prova de ciclismo e resistência. A sua equipa de quatro elementos, que incluía dois ciclistas com AF e que usaram bicicletas de três rodas, terminou em primeiro lugar na divisão de quatro pessoas.
“Provámos a nós mesmos e a todos os outros que, juntos, não há nada que não possamos fazer.”, disse Bryant à audiência “Vamos cortar essa meta e derrotar esta doença… porque, vamos lá falar a sério, acabamos de fazer 3000 milhas em oito dias!”

LeBlanc, que participou no ensaio clínico na USF patrocinado pela FARA, disse que a sua cadela de auxílio Delsie permitiu-lhe andar por mais quatro anos.Perante uma audiência enérgica, o Dr. Clifton Gooch, professor de neurologia, nos seus comentários finais, reconheceu o envolvimento e mérito de filantropos, investigadores, instituições académicas e líderes apaixonados, que fizeram com que uma doença rara fosse do ponto em que pouco ou nada se sabia sobre ela, até ao ponto em que se vislumbram no horizonte tratamentos promissores.
“Mas acima de tudo,” disse o Dr. Gooch “é necessária paciência e aqueles que cuidam e preocupam-se vão canalizar esforços e recursos para fazer as coisas acontecerem.”

Na sessão pré-simpósio, Jeannie Stephenson e Seok Hun Kim da Escola de Fisioterapia e Ciências da Reabilitação USF, apresentaram um estudo evolutivo do porte e equilíbrio na AF.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: USF Health Communications

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