Tradução: Fátima d’Oliveira

 

Ernest, 25 de Abril de 2015

Por Michell Spoden – Recovering the Self

 

Como parte do projeto literário internacional da série “Autores sobre a Ataxia de Friedreich”, a minha entrevistada de hoje é María Blasco Gamarra, 41 anos, de Espanha.

 

Michell: Por favor, fale um pouco sobre sua formação académica e profissão.

María Blasco Gamarra: Eu tenho uma pós-graduação em Estudos Hispânicos e uma pós-graduação em Estudos Bascos da Universidade de Navarra. Eu não tenho um emprego remunerado.

Michell: Por favor, diga aos nossos leitores sobre o seu recente projeto e como tomou parte dele?

María Blasco Gamarra: O principal objetivo do projeto é incentivar doações para a BabelFAmily para a investigação biomédica para a ataxia de Friedreich e, por isso, somos nós, enquanto participantes, que somos os protagonistas para alcançar o nosso objetivo.Demorou algum tempo a escrever o romance, editá-lo e encontrar uma maneira de publicá-lo em papel (edição tradicional), mas agora, também estamos a pensar na publicação em diferentes formas.Inicialmente, o romance foi publicado em espanhol, mas com a intenção de tornar o projeto internacional, traduzindo o romance em várias línguas, graças aos tradutores voluntários da BabelFAmily (organização internacional não lucrativa, que é responsável pela seleção de projetos para a investigação sobre a ataxia de Friedreich). Todos os autores concordaram com isso.Pessoalmente, eu decidi começar a procurar uma associação que pudesse apoiar e compreender o projeto. Uma vez encontrada, eles informaram, em várias línguas, associações de ataxia e, mais tarde, eu, pessoalmente entrevistei candidatos e, gradualmente, definimos e construímos o romance. Claro, havia mais objetivos e um deles foi o de aumentar a consciencialização sobre a existência desta doença grave e rara também.

Michell: Há algo semelhante com cada um dos escritores neste projeto. O quê?

María Blasco Gamarra: Sim, a ataxia de Friedreich, pois 14 dos 17 autores têm a doença.

Michell: O vosso grupo decidiu traduzir este livro em várias línguas, por favor diga-nos mais sobre esse aspeto do projeto.

María Blasco Gamarra: Sim, o livro está a ser traduzido para inglês porque, na verdade, era a língua-mãe de 6 autores dos EUA, Inglaterra, Austrália e África do Sul. O francês, português e italiano são os nossos próximos objetivos.

Michell: Acredita que este projeto vai levar a acontecimentos extraordinários no futuro?

María Blasco Gamarra: É claro! Sem dúvida! Isso é algo que nos motiva a todos. Estou convencida de que temos uma história fantástica que pode ser adaptada a diferentes formatos artísticos como teatro, cinema, música, pintura, escultura, e até mesmo televisão.

Michell: Além deste livro, em que outros desafios está envolvida e porquê?

María Blasco Gamarra: Até agora, os meus desafios têm sido mais simples e eu tenho-me auto-publicado para um pequeno círculo de conhecidos, mas agora estou diante de um grande desafio internacional que vai ser uma aventura sem limites!

Michell: Uma vez que todos vocês lutam com a mesma doença, quais são os maiores desafios que enfrentam? Existe alguma coisa que gostaria de compartilhar connosco que nos poderia ajudar a compreender melhor o que podemos fazer para fazer a diferença?

María Blasco Gamarra: Pessoalmente, acho que a superação de obstáculos é inerente à nossa humanidade; é uma escolha de vida que é realçada quando as dificuldades surgem. Se estas dificuldades são físicas, o esforço para as superar é mais evidente e quanto maiores são, mais importantes é superar - tanto para a própria pessoa, como para a pessoa que observa. Ser mulher também marca a minha personalidade e acentua essa característica, porque superar está no nosso sangue. Ao longo da história, as mulheres tiveram que provar que o seu trabalho é tão digno e merecedor como qualquer outro, mesmo até mais. Hoje, o trabalho de um homem ainda tem mais prestígio nas artes do que o das mulheres - pintoras, escritoras, poetisas, escultoras... Em O legado de Marie Schlau, 15 dos 17 autores são mulheres, isso só serve para acentuar a profundidade e emoção nas personagens da história mas, ao mesmo tempo, não têm negligenciado a ação e o mistério. Há momentos em que o corpo, saúde, humor, circunstâncias diferentes: tempo, filhos, trabalho, dinheiro... não nos permite fazer o que queremos, mas não nos deixamos desencorajar, derrotar, nem oprimir por isso; em vez disso, devemos tentar encontrar uma maneira de continuar a desfrutar a vida: todo mundo em sua própria maneira, e felicidade virá quando nos encontrar.

Michell: Quais foram algumas das barreiras que enfrentaram durante o projeto? Como conseguiram resolver os problemas?

María Blasco Gamarra: Num projeto desta natureza, os problemas sempre surgem e temos de estar preparados para superá-los, principalmente em relação às diferentes línguas dos autores. Não só isso, eu diria que há problemas de comunicação no topo das dificuldades de linguagem, mas conseguimos ultrapassá-los porque queríamos levar o projeto adiante. A maior dificuldade que eu tinha, especificamente, estava em digitar um e-mail e, ao mesmo tempo, lidar com a progressão da doença: tornou-se cada vez mais difícil e é difícil fazer crítica literária a um autor com o devido tato para não magoá-lo enquanto resumindo em tão poucas palavras quanto possível. Tudo isso é complicado mesmo quando se fala a mesma língua, então eu acho que se tornou muito claro que o que é importante na vida é a vontade.

Michell: Será que sente que tenha aprendido algumas lições importantes? Se sim, quais?

María Blasco Gamarra: Muitas. A principal é o respeito pela diferença. O respeito não é fácil quando não se sabe as circunstâncias de cada pessoa, isso ocorre em todas as facetas da vida e é por isso que a consciencialização é um dos nossos objetivos. Também é importante que todo o grupo de escritores tenha acesso às mesmas informações para facilitar estratégias. Mas, claro, há o problema do envolvimento pessoal de cada um e o seu interesse. Tudo o que eu acabei de explicar é fácil de colocar em palavras, mas é muito difícil de fazer. A um nível literário, eu também aprendi muito, porque tivemos que corrigir os capítulos dos outros autores - é sempre mais fácil encontrar defeitos nos outros do que em si mesmo. Eu também aprendi muito com a diversidade de estilos e no que diz respeito ao uso de tradutores automáticos... bem, o que se pode fazer!

Michell: Quais são alguns dos seus autores favoritos?

María Blasco Gamarra: Os meus autores favoritos incluem Isabel Allende, VC Andrews, Barbara Wood, Ken Follet. Mas é claro que o meu gosto pode variar, dependendo do estado de espírito que eu estou!

 

Fonte: Recovering the Self

O legado de Marie Schlau: literatura e solidaridade

Uma história cheia de intriga, emoções e reviravoltas inesperadas, com a ataxia de Friedreich como pano de fundo. Com todos os ingredientes para o sucesso, agora você só tem que lê-lo!
Todos os fundos obtidos com a venda do livro serão utilizados para a investigação médica para encontrar uma cura para a ataxia de Friedreich, uma doença neurodegenerativa grave e debilitante que afeta principalmente crianças e jovens, que ficam confinados a uma cadeira de rodas. Esta doença reduz a expectativa de vida até perto de 40 anos.

Por esta razão e porque atualmente não há cura, por favor nos ajude derrotar a ataxia de Friedreich, lendo uma história que não o deixará indiferente.
Você pode comprar o livro na Amazon, em Inglês ou Espanhol:
Versão impresa Kindle (Inglês): https://www.amazon.com/Legacy-Marie-Schlau-collective-Friedreichs-ebook/dp/B01N28AFWZ
Versão impresa (em espanhol): https://www.amazon.es/Legado-Marie-Schlau-colectiva-Friedreich/dp/1523287411
Versão e-book (Kindle) (Espanhol): https://www.amazon.es/Legado-Marie-Schlau-colectiva-Friedreich-ebook/dp/B01NAZ8UVS

Go to top