Tradução: Fátima d’Oliveira

 

Ernest, 06 de Fevereiro de 2015

por Michell Spoden – Recovering the Self

 

Como parte do projeto literário internacional da série “Autores sobre a Ataxia de Friedreich”, a minha entrevistada de hoje é Fátima d'Oliveira.

 

Michell: Por favor, fale-nos um pouco sobre si?

Fátima: O meu nome é Fátima d'Oliveira, tenho 44 anos, estou agora aposentada, profissionalmente falando, devido a deficiência, e eu sou portuguesa. Gosto muito de escrever e tive a sorte de já ter visto alguns dos meus trabalhos publicados, mas não gosto de me chamar escritora, pois acredito que seria muito pretensioso. Eu também tenho dois blogs: http://aprocuradeumahistoria.blogspot.pt, onde eu vou partilhando a minha criação literária – contos, principalmente - e http://recatratos.blogspot.pt, onde eu falo sobre mim, as minhas ideias e sentimentos.

Michell: Por favor, diga aos nossos leitores como você participa neste projeto?

Fátima: Deparei-me com este projeto através de Mari Luz Gonzaléz; ela foi quem primeiro me falou sobre esta ideia apresentada por Maria Blasco Gamarra, um autora espanhola e a verdadeira força impulsionada por trás deste projeto. E, como Mari Luz já conhecia algum do meu trabalho, perguntou-me se estava interessada em participar. Escusado será dizer que eu aceitei imediatamente.

Michell: Há algo de semelhante em cada um dos autores neste projeto. O quê?

Fátima: Todos os autores são, de uma forma ou de outra, tocados por uma doença debilitante e progressiva, chamada ataxia de Friedreich (AF). Quanto a mim, eu tenho AF. A AF é uma doença rara e neurodegenerativa. É genética e hereditária, mas pode saltar várias gerações. Assim, os testes genéticos são muito importantes. É uma doença cruel e implacável, que lentamente nos vai tirando a nossa capacidade de mover, falar, até mesmo engolir. A AF pode levar a uma dependência total de terceiros e encurta a nossa esperança de vida. Mas uma coisa, a AF não afeta: a nossa mente - os nossos conhecimentos, pensamentos, desejos, esperanças, sonhos, medos e sentimentos permanecem. Isso significa que nós sabemos e estamos cientes do que nos está a acontecer. Ainda não existe cura ou tratamento para a AF.

Michell: O vosso grupo decidiu traduzir este livro para diferentes línguas. Por favor, fale-nos mais sobre esse aspeto do projeto.

Fátima: Sim, é verdade. É uma tarefa enorme, que só é possível devido a uma equipa maravilhosa de tradutores, todos voluntários. Este processo de tradução está a ser coordenado por Gian Piero Sommaruga. O objetivo final é o de traduzir o livro nas línguas dos autores. O livro já está disponível em espanhol, e atualmente está a ser traduzido para inglês.

Michell: Acredita que este projeto vai levar a outros eventos extraordinários no futuro?

Fátima: Espero realmente que sim, não só a nível artístico, mas também em espalhar a palavra sobre a AF, sensibilização e angariação de fundos, desesperadamente necessários para a investigação.

Michell: Para além deste livro, em que outros esforços humanitários está envolvida?

Fátima: Estou muito envolvida com a APAHE - Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias (http://www.apahe.pt.vu), uma associação portuguesa para as ataxias hereditárias, que está a tentar alertar e sensibilizar o público para este tipo de doenças.

Michell: Uma vez que todos vocês lutam com a mesma doença, quais são os maiores desafios em tê-la? Existe alguma coisa que gostaria de partilhar connosco, que nos poderia ajudar a compreender melhor o que nós, pessoas de fora, podemos fazer para fazer a diferença?

Fátima: Além dos mais óbvios - as barreiras arquitetónicas e estar constantemente dependente dos outros -, eu realmente acredito que o maior desafio que temos de enfrentar, numa base diária, é a forma como outras pessoas olham para nós. Vou contar uma história que aconteceu comigo e que é um exemplo perfeito do que estou a dizer: há alguns anos, eu estava numa grande livraria e tinha vários livros no meu colo. Um homem passa e olha, primeiro para o meu colo, depois para mim. Depois de fazer uma espécie de olhar surpreendido, foi-se embora. Ele não disse uma só palavra, mas os seus olhos eram claros: como pode alguém numa cadeira de rodas, ser capaz de ler? Esta é, na minha opinião, a maior e mais dura luta: a forma como somos percebidos pelos outros. Sim, eu estou numa cadeira de rodas. Mas eu tenho uma mente. E um coração.

Michell: Quais foram algumas das barreiras com que se deparam neste projeto? Como conseguiram resolver os problemas?

Fátima:  Principalmente barreiras de comunicação, pois, como todos somos de diferentes origens, às vezes houve alguns mal-entendidos. Mas com paciência e perseverança tudo foi tratado.

Michell: Alguns de vocês sentem que tenham aprendido algumas lições importantes? Se sim, quais?

Fátima: As coisas boas acontecem sempre àqueles que são determinados e que, juntos, somos muito mais do que a soma de todas as nossas partes.

Michell: Quais são alguns dos seus autores favoritos?

Fátima: Eu realmente não posso dizer que tenha um autor favorito… Para mim o mais importante é o livro, o trabalho, não o nome por trás dele. De momento, estou a ler dois livros, ambos de autores portugueses: "900 anos a irritar os Espanhóis" de Margarida de Magalhães Ramalho e "A Terceira Rosa" de Manuel Alegre. Mas vou dizer-lhe uma coisa: como eu tenho uma espécie de paixão por contos, vou destacar o que é para mim o melhor conto que já li: foi escrito por Joyce Carol Oates e chama-se “Extenuating Circumstances” (Circunstâncias Atenuantes).

 

Fonte http://www.recoveringself.com/health/authors-on-friedreichs-ataxia-fatima-doliveira

O legado de Marie Schlau: literatura e solidaridade

Uma história cheia de intriga, emoções e reviravoltas inesperadas, com a ataxia de Friedreich como pano de fundo. Com todos os ingredientes para o sucesso, agora você só tem que lê-lo!
Todos os fundos obtidos com a venda do livro serão utilizados para a investigação médica para encontrar uma cura para a ataxia de Friedreich, uma doença neurodegenerativa grave e debilitante que afeta principalmente crianças e jovens, que ficam confinados a uma cadeira de rodas. Esta doença reduz a expectativa de vida até perto de 40 anos.

Por esta razão e porque atualmente não há cura, por favor nos ajude derrotar a ataxia de Friedreich, lendo uma história que não o deixará indiferente.
Você pode comprar o livro na Amazon, em Inglês ou Espanhol:
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