Tradução: Kátia Meira de Vasconcelos

23 de novembro de 2014
por Michell Spoden – Recovering the self

Como parte da série de “Autores sobre a ataxia de Friedreich”, partilho a minha correspondência com outra autora que faz parte deste projeto literário. A convidada de hoje é Sarah Allen, uma escritora inglesa de 45 anos de idade que vive na Espanha. Ela possui uma licenciatura em Literatura Inglesa da Universidade de Birmingham, PGCE (Pós-Graduada em Educação) em ensino primário da Faculdade de Newman, Universidade de Birmingham. Atualmente, Sarah é mãe a tempo inteiro de três filhos.
Michell: Sarah, por favor, informe os nossos leirores sobre esse projeto e como se decidiu juntar a ele?
Sarah Allen: Respondi a um pedido de escritores para contribuir para um romance colaborativo para angariar fundos para a investigação sobre a ataxia de Friedreich. Soou muito interessante para mim - apelou ao meu interesse pela literatura, não apenas por mérito por direito próprio, como um projeto de angariação de fundos, mas tem mérito literário no que alcança. É um empreendimento muito valente e corajoso: “agarrar” em escritores de todo o mundo e uni-los numa narrativa intrigante.
Michell: Há algo de semelhante em cada um dos escritores deste projeto. O que é?
Sarah Allen: 14 dos autores têm Ataxia de Friedreich - uma doença neuro-muscular progressiva que não tem cura - no momento.
Michell: O vosso grupo decidiu traduzir este livro em diferentes línguas, por favor, fale-nos mais sobre esse aspeto do projeto.

Sarah Allen: O objetivo é traduzir em cada uma das línguas maternas dos escritores por uma equipa de tradutores voluntários. No momento, está disponível em espanhol e está a ser traduzido para inglês, processo no qual estou envolvida. O processo de tradução, em si, é uma tarefa gigantesca. Gian Piero Sommaruga, de BabelFAmily, coordena este lado do projeto de forma brilhante!
Michell: Acredita que este projeto vai levar a outros eventos extraordinários no futuro?
Sarah Allen: Artisticamente - espero que sim! Certamente tem potencial. Eu não tenho nenhuma dúvida de que o nosso principal objetivo, para consciencializar e angariar fundos para a investigação da AF será atingido e superado - um dia haverá uma cura, e isso será um evento extraordinário!
Michell: Além de angariar fundos para o livro para esta causa, em que outros esforços humanitários estão envolvidos os demais do grupo?
Sarah Allen: Trabalhei voluntariamente para a DPN - uma organização com base no Reino Unido para os pais com deficiência, ajudei na formação de assistentes sociais com o regime de pagamentos diretos em Birmingham e era conselheira de luto para a CRUSE no Reino Unido.
Michell: Uma vez que todos lutam com a mesma doença, quais são os maiores desafios em ter esta doença. Existe alguma coisa que gostaria de compartilhar connosco que poderia ajudar-nos a compreender melhor como nós, pessoas de fora, podemos ajudar para fazer a diferença?
Sarah Allen: A nível individual, eu acho que é muito importante ver a pessoa primeiro e a deficiência depois. Somos todos muito mais que a nossa incapacidade e este romance é um exemplo perfeito disso. 14 autores têm AF e 3 não, mas das palavras escritas - você nunca sabe quem é quem! Um dos meus maiores desafios é lidar com o julgamento dos outros e as discriminações que alimentam. A frustração de não ser capaz de usar transportes públicos, por exemplo, como pessoas aptas, para mim, é mais desanimador do que viver com AF. A desigualdade é muito difícil de suportar, especialmente quando a solução é simplesmente arquitetónica.
Michell: Quais foram algumas das barreiras que enfrentaram durante o projeto? Como conseguiram resolver os problemas?
Sarah Allen: A comunicação num grupo de estranhos é difícil e assustadora o suficiente, mas quando não temos a vantagem de ver a comunicação não-verbal de alguém ou mesmo de partilhar a mesma língua ou cultura - a comunicação é extremamente desafiadora.
Michell: Será que algum de vocês sente que aprenderam algumas lições importantes? Se sim, quais foram?
Sarah Allen: Nunca se sabe o que está por trás de um e-mail ou o que as pessoas estão a passar, fora do grupo. No que se refere a comunicação - aprendi a não ser tão paranoica e ser mais paciente ao ler e enviar mensagens. Eu aprendi coisas úteis com Jamie no que diz respeito a escrever e que determinação e perseverança obstinadas conduzem ao sucesso.
Michell: Quais são alguns dos autores favoritos do grupo?
Sarah Allen: Os meus autores favoritos são Wilkie Collins, Jeanette Winterson e Oscar Wilde. Eu gosto de escrita gótica/sobrenatural.
Michell: Em meu nome, gostaria de lhe desejar o melhor em todos os seus empreendimentos.

Fonte

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