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Histórias pessoais

Gülsüm Erol Turan (Turquia)

Tradução para BabelFAmily: Janete Hatsuko Inamini


Meu nome é Gülsüm. Tenho 25 anos, sou casada e moro em Bursa. Atualmente estou passando por um dos momentos mais difíceis da minha vida, mas que também são os mais belos. 
Há muito tempo venho tendo problemas de equilíbrio. Por isso, fui a dois médicos, que atribuíram o fato a várias razões, como meu peso, meus ossos ou mesmo a falta de nutrição. Há um ano e meio, eu nunca pensei que um problema neurológico poderia ser a causa de meus problemas. As pessoas à minha volta começaram a me deixar preocupada, dizendo que esses sintomas poderiam ser a causa de uma doença grave. Depois disso, eu voltei a me consultar com vários médicos. Na verdade, eu queria provar a essas pessoas que a causa de meus problemas eram por estresse e não por um problema neurológico.
Tudo estava bem. Meu médico me disse o que eu queria ouvir e que poderia ter problemas em carregar coisas pesadas. Eu fiquei aborrecida em saber que sempre terei problemas em carregar coisas, mas por outro lado, fiquei feliz por não ser um problema neurológico.

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Ömer Ocak (Turquia)

Tradução para BabelFAmily: Janete Hatsuko Inamini

 

Meu nome é Ömer Ocak. Nasci no dia 1º de maio de 1978 em Kars, situada no noroeste da Turquia. Se algum dia você tiver a oportunidade de vir a esta cidade, terei enorme prazer em recebê-lo.
Não tive nenhum problema de saúde enquanto cursava a escola primária e o ensino médio e não era mau aluno. Meu irmão e irmã mais velhos também sofrem de AF. Apesar de tê-los acompanhado várias vezes às consultas médicas, os médicos nunca me disseram que eu também poderia ser portador de AF. No segundo ano do ensino médico, aos 15 anos, comecei a apresentar os sintomas, mas levei nove anos para aceitar o fato. Formei-me no ensino médio. Eu já não saía de casa há muito tempo. Consegui ser aprovado no vestibular aos 17 e 19 anos, mas não estudei: era muito difícil sentar em uma cadeira de rodas, principalmente por não ser opcional. Não recebi nenhuma ajuda psicológica durante esse período. Não sei se é o caso em outros países, mas acho que é necessário. 

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Andrei (Romênia)

 

Traduzido para a BabelFAmily por Kátia Meira de Vasconcelos

 

Olá a todos:

Meu nome é Andrei, tenho vinte anos de idade e vivo na Romênia.

Os primeiros dez anos da minha vida foram bons, para dizer o mínimo, eles foram realmente impressionantes. Eu era fã de esportes, costumava praticar muitos esportes e amava sair e admirar a beleza da natureza. Entretanto, meus pais sempre observaram certos problemas que eu tinha com o equilibro e a coordenação.

Aos doze anos, após contrair catapora, que exacerbou meus problemas, fui a vários médicos e fiz muitas investigações médicas, sem receber um diagnóstico correto. Disseram que eu estava em um processo de recuperação após uma infecção causada pela catapora.

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Irina (Rússia)

Tradução para BabelFAmily: Janete Hatsuko Inamini


Era um dia nublado de 14 de abril de 1997 na Rússia, mas um jovem casal, uma professora e um engenheiro, comemorava. Acabara de vir ao mundo uma linda garotinha saudável. Tinha o peso normal, voz potente, rosto rechonchudo e se alimentava bem. O casal levou algum tempo escolhendo o nome e concordou que ela se chamaria Katya. O pai dirigiu-se ao cartório para registrá-la, mas algo fez com que ele mudasse de ideia e escrevesse Irina no campo do nome do bebê.  A mãe foi pega de surpresa, mas aprovou a escolha. E ainda hoje, passados 34 anos, um aceita a escolha do outro, vivendo em harmonia e paz, embora nem tudo seja um mar de rosas.

Quando a doce, linda e talentosa filha completou quinze anos, sua professora de dança ficou perplexa ao perceber que Irina apresentava uma leve perda de coordenação. Ela relatou o fato aos pais, que ficaram igualmente surpresos e confusos. Na década de noventa, a Rússia vivia um período de caos e indiferença; ninguém sabia de nada e tampouco existia alguma fonte de informação. Enquanto isso, a perda de coordenação de Irina progredia. Ela ficava muito cansada, tropeçava e caía sem motivo aparente e corria mais devagar do que seus colegas.

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Federico Villa (Itália)

 

Tradução para BabelFAmily: Kátia Meira de Vasconcelos
 
 

Permita que me apresente: Meu nome é Federico. Eu nasci há muito tempo, em 1986. Eu tenho AF; se você não sabe o que significa... então não me pergunte porque, na realidade, eu não sei o que dizer-lhe. Eu sou uma daquelas pessoas que preferiria não saber nada ou apenas o estritamente necessário e que prefere continuar firme apesar das dificuldades, consciente de que eu tenho Ataxia de Friedreich, mas que neste preciso momento, não consigo livrar-me dela. Finalmente, em 2005, decidi usar uma cadeira de rodas, após me recusar obstinadamente a usá-la para ajudar a me movimentar. Eu cedi finalmente porque eu parecia que estava bêbado. Foi um passo muito doloroso a ser tomado, como não poderia deixar de ser, mas que não se tornou dramático para mim. Eu sei quem era antes e que poderia continuar a ser aquela pessoa; por esta razão, pouco a pouco, o medo de aparecer em público começou a diminuir.

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Filippo Fortuna (Italia)

 Tradução para BabelFAmily: Catarina Margarido

 

 

Olá a todos

Tendo sido convidado pelo meu amigo Gian Piero, também eu venho dar aqui o meu testemunho. Pois bem, chamo-me Filippo Fortuna, tenho 30 anos e sou cirurgião; em Novembro licenciar-me-ei como especialista em Patologia Clínica pela Universidade de Bolonha. Ah, já me ia esquecendo de um pequeno detalhe... aos 19 anos diagnosticaram-me com Ataxia de Friedreich, embora os problemas tivessem começado quando eu tinha ainda 15, principalmente com a escoliose.

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Jean Dieusaert (França)

Tradução para BabelFAmily:  Maria Célia Ramos Bellenzani

Bom dia a todos,

Meu nome é Jean, tenho 30 anos e vivo em Lille, na França. Estou doente desde os 14 anos. Antes da confirmação pelo teste genético, era difícil chegar ao diagnóstico definitivo da Ataxia. Seja como for, passei meus anos de colégio mergulhado em profunda depressão, sem saber o que seria de mim...
Na hora do vestibular, optei por estudar ciências da computação. Foi na época do primeiro ensaio terapêutico, com o qual eu esperava e acreditava poder me curar. Foi também quando conheci o David, outra vítima da Ataxia; ele me fez ter vontade de lutar e me ajudou a ser o homem que sou hoje...
A espada de Dâmocles está sempre sobre a minha cabeça, mas não tenho mais medo do meu futuro; vivo um dia de cada vez, me dedicando a pequenos projetos. A vida, principalmente a minha, é curta; temos que aproveitar cada dia!
Viajo pelos quatro cantos do mundo: Canadá, Irlanda, Malásia e também para países menos desenvolvidos, como Índia, Mali, Birmânia e Uruguai ... o próximo da lista é Madagascar.
Um dia, ouvi de um sábio africano: “Se você quer conhecer a Vida, vá olhar o olho lado da montanha...” Não foi preciso dizer mais nada !
Por ter uma vida tão diferente e tão rica, achei que seria bom colocá-la no papel: meu primeiro livro se chama “A vida é ainda mais bela quando a escrevemos” e outros virão...
Minha vida, minhas viagens, meu livro, tudo isso acabou interessando a alguns jornalistas e mais de uma vez eu fui a estrela da telinha na maratona televisiva Teleton.
Um dia, meu caminho e o da Virginie se cruzaram e nos casamos. Um casamento magnífico, que ficará gravado na memória dos nossos convidados por muito tempo, acho...
Levada pela projeção materna, ela fez o teste genético. Era uma formalidade, mas infelizmente o destino quis que ela fosse portadora do “mau” gene. Recorremos então à fecundação in vitro com DPI (diagnóstico pré-implantacional). Todos os exames preliminares foram feitos, mas um acontecimento externo veio nos perturbar e nos divorciamos...
Nas palavras de Elina, do Uruguai: “Vida de artista é assim !” Antes da terapia gênica, estou certo de que esse famoso gene do nono par de cromossomos é substituído pela resistência, pela capacidade de reagir às adversidades. Não luto contra a doença, posto que é luta perdida; eu vivo com ... Estou aqui e tenho muito que viver !

 

Ligia Carneiro (Brasil)

Meu nome é Ligia, tenho 31 anos, brasileira, residente em Belém, no estado do Pará. Sou portadora de AF. No entanto se alguem perguntar há quanto tempo tenho a doença, não saberei dizer ao certo, pois tive uma infancia normal, corria, brincava, subia e descia escadas com muita facilidade. Completei todos os meus estudos, 1°, 2° grau, ensino superior (em Biomedicina) e Pós-graduação (sou mestre em doenças tropicais). Tive o diagnóstico definitivo da doença em meados de 2008 em Curitiba-PR, sob os cuidados do DR.Hélio Teyve.

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Patricia (Espanha)

Olá! O meu nome é Patrícia, sou uma rapariga de 21 anos com Ataxia de Friedreich. Sou Espanhola, vivo em Almería. Os primeiros sintomas da Ataxia foi aos 10 anos, perdia ligeiramente o equilíbrio ao fechar os olhos, e claro, cada vez ia aumentando a perda de equilíbrio.

Primeiro mandaram-me ao Otorrino. Aos 12 anos estava””. Quando fazia ginástica no colégio, notava que cada dia que passava estava pior. Cada vez caminhava mais   Também se deformavam os pés: cavos e em garra. Pensavam que essa era a causa do meu mau caminhar.
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